sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Nightmare?

Acordo e ao abrir os olhos tudo permanece escuro
Fecho-os, esfrego-os e tento uma vez mais... Mesmo resultado
Começo a ficar paranoico e acho que estou cego
Continuo esfregando-os, agora avidamente, em busca da luz
Lágrimas, ardor e pânico se tornam minha realidade
Com a agonia de poucos minutos minha esperança morre
E então eu vejo algo em meio à escuridão

Dentes pontiagudos, garras afiadas, couro no lugar de pele
Uma foice aparece empunhada por sete mãos firmes
Eu noto uma arma que eu não tinha quando fui dormir
Desesperado, eu saco e atiro!
Uma, duas, quatro, incontáveis vezes

De alguma forma, chamei a atenção da criatura
Ela se aproxima lentamente, determinada
Eu sigo atirando, com munição infinita
Ela está sangrando muito, mas é como se não se importasse
Eu desisto de atirar, começo a correr
Dou de cara numa parede... Seria um labirinto?

Não há escapatória
Eu vejo o brilho da foice cruzar meus olhos
Sinto, dilacerando minha carne e meu espírito
Não sinto dor, não sinto raiva, não sinto nada... Paz completa
E então uma criança pálida ri como um bater de asas



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Bons Sonhos

Sabe aquela brisa calma da manhã que num bater das asas da Fênix vira um furacão? Sim, aquela brisa-tempestade que de tão incomum alguns dizem que não existe? Pois então, eu a encontrei naquela sua gargalhada inconfundível e me senti com sorte, tamanha a felicidade de vivenciar tal raridade.

De feliz me amarrei em sua corrente e comecei a rir também, ria tanto que não conseguia mais parar, e, de repente, todo ar que eu podia respirar e todo riso que eu podia dar vinham dessa brisa-tempestade, qualquer outro ar era venenoso e poluído demais para meus pulmões... Se eu me afastasse do furacão, morreria sem ar, e se me aproximasse demais, seria engolido por ele, me vi alegremente sem saída... Veja só, quem diria, viciei no teu ar maluco!

Pensando bem, talvez ser engolido e continuar respirando fosse minha melhor saída... Mas só talvez. Mesmo assim, só me joguei... O que faria depois eu decidiria no calor do momento, e então nadei pelas correntes de ar de seu riso, alegremente esperando ser engolido, ansioso, amedrontado, entregue.

Mas você... Você não me engoliu! Você rodopiou ao meu redor, rindo, me descabelando, me girando em emoção, mas sempre me deixando com a sensação gostosa de perigo iminente, como quem anda sobre um vulcão adormecido, um misto viciante de maravilha e perigo.

E desde então eu sigo surfando as correntes de ar desse furacão maluco, prestes a morrer de alegria a qualquer momento, prestes a qualquer prestar do destino, perigo iminente, amor iminente.


sábado, 28 de outubro de 2017

Não passa passarinho com pressa, ferro ou fogo no pasto (nem a uva passa)

Cadê aquelas dunas quentes que paisageavam o deserto desolado de meu olhar? Cadê aquele meu oásis sonhado, que, de tão distante, agora já nem vejo? Onde foi parar aquele vislumbre juvenil do horizonte intangível que eu vivia para imaginar? Cadê aquelas horas em que eu divagava devagar, deveras atarefado em meio aos deveres diários diversos, vivendo meus desejos vivos em vívida esperança?

O tempo trouxe consigo aquela velha companhia manjada, velha de idade e vaidade, levou o brilho de meu no olhar e o mundo já não me surpreende mais, trouxe aquela doença chata que troca a perspectiva do amanhã colorido pelo cinza moroso da cidade... E a gente se acostuma, e já não vive sem sofrer com os mesmos dilemas morais.

Dói lembrar que um dia eu fui jovem, inocente e pueril.

Hoje tudo me parece tão distante, uma vaga lembrança de dunas no deserto um dia sentido, dunas modificadas pelo vento, e nunca nada será mais o que um dia já foi (ou fingiu).

Mudar deve ser normal, afinal... Perder parte de sua essência e substituir por mais mentiras desmedidas, mas o tempo também faz você perceber algumas coisas não vão mudar, você descobre a fantasia real: aquela que te move, que te alimenta e te faz vivo.

O certo cheiro, o certo toque, o certo certo.



E nada pode impedir o futuro que virá.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Acht Städten

Tu és aquela brisa que vem perto das onze e poucos da noite
Inesperada lambida fria no rosto perto da janela
És a lágrima que percorre os canais de meus olhos
Quando choro porque lembro de como me esqueci
Fugi de mim como quem foge de outrem
E assim, fugi de ti...

Mas o mundo é um moinho, amor
Pronto a girar sem nos tirar do lugar
Sempre a reduzir as ilusões a pó
De tempos em tempos me reencontro e me revejo
Com a mesma face que fez com que me perdesse de mim

A cada reencontro, tu segues aqui dentro
Presente em cada bombear deste gordo coração
E tu percorres meu corpo nesse sangue cíclico
Passeias pelo carrocel de minhas veias, irrequieta e incontida
Povoas meus pensamentos, compartilhas minha alma

Tu, que és boa causa de quem sou: nunca deixes de sorrir ao me reencontrar
Sempre diferentemente iguais, estaremos atados por cordas antigas demais,
Mas validados pela certeza inexplicável que ecoa deste ciclo:
"Eu temo, pois eu te amo"

por Izaque Valeze


terça-feira, 2 de maio de 2017

Modern Pop Love

5:40 am e o despertador já canta animado: "Olhei para o relógio, era uma da manhã"
Quando penso em não pensar, já é tarde e já pensei
Tentei desviar de teu olhar naquele dia, e acabei por te encarar
Agora me encontro perdido, procurando teu rosto na luz do luar
E sempre quando menos espero, lá vem você na memória outra vez
O coração em disparada como quem foge de um maníaco com uma motosserra
Como uma ninja vermelha carmesim que só se vê o vulto, você chegou
Invadiu feito MST e propôs a reforma agrária das terras vermelhas de meu coração
Ele que tava ali parado, resolveu produzir novamente
Morangos extraordinários pra quem gosta de morangos... Eu prefiro quiuí
Independente da fruta, elas agora preenchem meu coração, e o deserto virou pomar
Tarde de horas incontáveis da noite eu resolvo fechar os olhos e tentar dormir
E... Quando penso em não pensar, já é tarde e já pensei (outra vez)
Lá está você de novo, explodindo meu coração como explodiram a Estrela da Morte
Sorrio de besta com meus quiuís, te ofereço um morango e agora: hoje, só amanhã