Imagino que a passagem do tempo não existe
O Tempo em si define minha existência
Nele permaneço – aqui e agora – consciente de mim
Só que assim também define a minha inexistência
Em algum lugar do Tempo eu ainda nem nasci
Em algum lugar do Tempo eu já morri
Ainda assim, em algum lugar do tempo, permaneço
Estou tão vivo quanto morto, presente e ausente
Todas as opções ao mesmo tempo NO Tempo
Imagino que o Tempo é um bloco que SEMPRE existe
Estático, nele tudo existe e inexiste, tudo permanece
Não há opção de escolhas, só a ilusão delas
Pois se já morri e também ainda nem nasci...
Minha vida toda já está e não está no Tempo
Sem escolhas, sem alterações, só um texto num livro
Desesperador? Talvez. Determinista demais? Talvez
Minha consciência transita só por pequenos pedaços
Limitada, incapaz de lembrar do que chamo de futuro
Como uma memória passageira, de carona
Abençoado com uma amnésia temporal
Não vejo como morri e nem sinto a dor de nascer
O próprio conceito de morte e vida não me cabe mais
No Tempo sou eterno e ainda nem sou
Nesse livro do Tempo: permaneço

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