segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Chronos — Ou crônicas sobre o Eternalismo

Imagino que a passagem do tempo não existe

O Tempo em si define minha existência

Nele permaneço – aqui e agora – consciente de mim

Só que assim também define a minha inexistência

Em algum lugar do Tempo eu ainda nem nasci

Em algum lugar do Tempo eu já morri

Ainda assim, em algum lugar do tempo, permaneço

Estou tão vivo quanto morto, presente e ausente

Todas as opções ao mesmo tempo NO Tempo


Imagino que o Tempo é um bloco que SEMPRE existe

Estático, nele tudo existe e inexiste, tudo permanece

Não há opção de escolhas, só a ilusão delas

Pois se já morri e também ainda nem nasci...

Minha vida toda já está e não está no Tempo

Sem escolhas, sem alterações, só um texto num livro

Desesperador? Talvez. Determinista demais? Talvez

Minha consciência transita só por pequenos pedaços

Limitada, incapaz de lembrar do que chamo de futuro

Como uma memória passageira, de carona


Abençoado com uma amnésia temporal

Não vejo como morri e nem sinto a dor de nascer

O próprio conceito de morte e vida não me cabe mais

No Tempo sou eterno e ainda nem sou

Nesse livro do Tempo: permaneço




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