domingo, 4 de janeiro de 2026

A Promessa

Lá no alto há um céu que me inspira

Evocando a promessa dum amanhã colorido

Nuvens cor-de-rosa pintando a altamira

Um convite à esperança, um refúgio do lúrido


Ali no alto há um céu que me aflige

Nas ondas de rádio: sinais de fumaça e zumbido

Bombas caem e destroem o que suadas mãos eligem

Um convite à incerteza, um destino dolorido


Do mesmo céu que inspira cai a morte

Da mesma mão que alimenta vem o tapa

Parece que não há pressa em ser feliz

Só que o mal não espera e se impõe forte

O tempo não para e por entre os dedos nos escapa

Relegada ao fim está a recompensa motriz


E a vida vai ficando para os pós-créditos

Na barganha do trigo pelo pão

"Vendido!" — À preço de petróleo banana

Enquanto bilhões se esvidiam na espera do inédito

Num filme que só se vê coadjuvante em inação

O sonho do céu é a extinção da águia americana





Gaivota glorificada

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