Lá no alto há um céu que me inspira
Evocando a promessa dum amanhã colorido
Nuvens cor-de-rosa pintando a altamira
Um convite à esperança, um refúgio do lúrido
Ali no alto há um céu que me aflige
Nas ondas de rádio: sinais de fumaça e zumbido
Bombas caem e destroem o que suadas mãos eligem
Um convite à incerteza, um destino dolorido
Do mesmo céu que inspira cai a morte
Da mesma mão que alimenta vem o tapa
Parece que não há pressa em ser feliz
Só que o mal não espera e se impõe forte
O tempo não para e por entre os dedos nos escapa
Relegada ao fim está a recompensa motriz
E a vida vai ficando para os pós-créditos
Na barganha do trigo pelo pão
"Vendido!" — À preço de petróleo banana
Enquanto bilhões se esvidiam na espera do inédito
Num filme que só se vê coadjuvante em inação
O sonho do céu é a extinção da águia americana
Gaivota glorificada
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