quarta-feira, 18 de março de 2026

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Olha lá, já vem chegando o barco trinta e quatro

Trouxe com ele um brilho prateado

A colorir estes ora tão negros mares

Veio de repente sem sequer me dizer olá

Com a força de um abraço a me tocar

Já sou marujo cansado, mas resta muito a seguir

Sem pressa de chegar, aprendi a aproveitar a viagem

Vejo o barco vinte e um, quando eu não era assim

Lembro de quando quase caí da proa

Pensava ser mais rápido chegar a nado

Pensava ser melhor chegar a nada


Não pensava


Aprendi no mar tudo que sei e o que não sei

Principalmente o que não sei, mas me ensinaram

Agora, continuo sem saber se é o bastante

Sigo sem perceber as ilusões e redirecionar o leme

O bastante, a Verdade é que nunca é

Há mais aos olhos do que posso ver

E se não vejo, pra quê procuro então?

Me apego aos cenários na ilusão do não saber

Há muita beleza, afinal, muitos sentimentos, também

O coração sente o que os olhos não vêem

Sigo segundo, agora sem pressa, nunca primeiro


A juntar meus segundos num dia inteiro





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