Olha lá, já vem chegando o barco trinta e quatro
Trouxe com ele um brilho prateado
A colorir estes ora tão negros mares
Veio de repente sem sequer me dizer olá
Com a força de um abraço a me tocar
Já sou marujo cansado, mas resta muito a seguir
Sem pressa de chegar, aprendi a aproveitar a viagem
Vejo o barco vinte e um, quando eu não era assim
Lembro de quando quase caí da proa
Pensava ser mais rápido chegar a nado
Pensava ser melhor chegar a nada
Não pensava
Aprendi no mar tudo que sei e o que não sei
Principalmente o que não sei, mas me ensinaram
Agora, continuo sem saber se é o bastante
Sigo sem perceber as ilusões e redirecionar o leme
O bastante, a Verdade é que nunca é
Há mais aos olhos do que posso ver
E se não vejo, pra quê procuro então?
Me apego aos cenários na ilusão do não saber
Há muita beleza, afinal, muitos sentimentos, também
O coração sente o que os olhos não vêem
Sigo segundo, agora sem pressa, nunca primeiro
A juntar meus segundos num dia inteiro
Nenhum comentário:
Postar um comentário