quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Māyā

Que dor é esta que de repente me veste?

Me apego à um sol que brilha em outro além

Vivo um luto mudo que nunca me esquece

Sigo essa sombra, sem saber de quem


E esse seu sorriso que se faz luz e me devora

É o sonho lindo de um despertar sofrido

Pois sei que em você meu amor não amora

E só me resta o querer e a negação dos meus sentidos


Ignoro a voz que me grita: "Deixa ir!"

É a voz da razão, que me fere e depois pede perdão

Mas o coração não vê senhor senão a si

Obedece só seu próprio querer, em pura emoção


E agora, como arrancar essa raiz sem fim?

Nó na garganta e medo de perder o que nem possuo

Nesta doce prisão, sou carcereiro de mim

Acabo na eterna fuga do sentir, um forçoso recuo


Meu espírito teimoso e desmedido se perde

Um conflito perfeito entre o que preciso e o que sinto

A liberdade acena, mas a alma não cede

Ainda te busca, nesse sentimento-instinto

 

Prendo-me ao frágil fio dessa ilusão

Perdidamente atado à uma teia de aranha sutil

Me debato, enquanto a vida me demanda mais ação

Até que desisto, à espera de um devorar sombrio


No fim, só perambulo pelo limbo do querer e do partir

Amante do vazio, sem conseguir preencher ou deixar o sentir

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