Que dor é esta que de repente me veste?
Me apego à um sol que brilha em outro além
Vivo um luto mudo que nunca me esquece
Sigo essa sombra, sem saber de quem
E esse seu sorriso que se faz luz e me devora
É o sonho lindo de um despertar sofrido
Pois sei que em você meu amor não amora
E só me resta o querer e a negação dos meus sentidos
Ignoro a voz que me grita: "Deixa ir!"
É a voz da razão, que me fere e depois pede perdão
Mas o coração não vê senhor senão a si
Obedece só seu próprio querer, em pura emoção
E agora, como arrancar essa raiz sem fim?
Nó na garganta e medo de perder o que nem possuo
Nesta doce prisão, sou carcereiro de mim
Acabo na eterna fuga do sentir, um forçoso recuo
Meu espírito teimoso e desmedido se perde
Um conflito perfeito entre o que preciso e o que sinto
A liberdade acena, mas a alma não cede
Ainda te busca, nesse sentimento-instinto
Prendo-me ao frágil fio dessa ilusão
Perdidamente atado à uma teia de aranha sutil
Me debato, enquanto a vida me demanda mais ação
Até que desisto, à espera de um devorar sombrio
No fim, só perambulo pelo limbo do querer e do partir
Amante do vazio, sem conseguir preencher ou deixar o sentir
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