domingo, 18 de janeiro de 2026

Sequestro

Roubam a cor da pátria como quem a tortura

Escondem sob a bandeira o vazio de seu ser

Bradam "nação" em voz sempre dura

Mas não têm pelo povo o menor bem querer


Um clamor doente, que segrega e aparta

Amam o mapa e odeiam os vizinhos

Patriotas de mesas bem fartas

Enquanto seus irmãos padecem sozinhos


Vomitam "justiça", "moral" e "bons costumes"

Mas comem continência aos senhores de lá

"À mim, dividendos e lucros. Ao povo, o chorume"

Desde que prosperem, não lhes importa o que virá


Eu amo minha terra — Minha mãe e madrasta

Mas fui roubado da fé e do orgulho

Sinto calado, pra não parecer de tão ignóbil casta

Levaram meu presente, sobrou só o embrulho


Nao me dê parte nessa perversão ilusória

Que cala o amor com a força de um hino

Que troca soberania em escória

Não me confunda com patrícios assassinos


Me resta a saudade do amor nacional

De quando eu via no outro a mãe gentil

E por isso aqui berro — Em lucidez irracional

Saiam! Saiam! Vão-se embora e nos devolvam o Brasil!

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