Roubam a cor da pátria como quem a tortura
Escondem sob a bandeira o vazio de seu ser
Bradam "nação" em voz sempre dura
Mas não têm pelo povo o menor bem querer
Um clamor doente, que segrega e aparta
Amam o mapa e odeiam os vizinhos
Patriotas de mesas bem fartas
Enquanto seus irmãos padecem sozinhos
Vomitam "justiça", "moral" e "bons costumes"
Mas comem continência aos senhores de lá
"À mim, dividendos e lucros. Ao povo, o chorume"
Desde que prosperem, não lhes importa o que virá
Eu amo minha terra — Minha mãe e madrasta
Mas fui roubado da fé e do orgulho
Sinto calado, pra não parecer de tão ignóbil casta
Levaram meu presente, sobrou só o embrulho
Nao me dê parte nessa perversão ilusória
Que cala o amor com a força de um hino
Que troca soberania em escória
Não me confunda com patrícios assassinos
Me resta a saudade do amor nacional
De quando eu via no outro a mãe gentil
E por isso aqui berro — Em lucidez irracional
Saiam! Saiam! Vão-se embora e nos devolvam o Brasil!
Daria uma bela música do Legião
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