Há sal demais nas ondas que me habitam
Mesmo Posêidon se afoga na dor do engano
Meu peito é profundo — em pranto e maré
Meu trono é silêncio, forjado a frio
Com superfície, escondo abismos que gritam
No meu reino de solidão, sou um deus profano
Que chora em segredo, neófito de si, não se lembra quem é
Oculta lágrimas na salmoura do mar, num choro sombrio
Sou água viva na esperança dos que ainda acreditam
Represo o pesar no meu peito oceano
Já sou rei sem majestade, Papa sem fé
À deriva em mim — deus do mar, trono vazio

Nenhum comentário:
Postar um comentário