quarta-feira, 16 de julho de 2025

Posêidon

Há sal demais nas ondas que me habitam

Mesmo Posêidon se afoga na dor do engano

Meu peito é profundo — em pranto e maré

Meu trono é silêncio, forjado a frio

Com superfície, escondo abismos que gritam

No meu reino de solidão, sou um deus profano

Que chora em segredo, neófito de si, não se lembra quem é

Oculta lágrimas na salmoura do mar, num choro sombrio

Sou água viva na esperança dos que ainda acreditam

Represo o pesar no meu peito oceano

Já sou rei sem majestade, Papa sem fé

À deriva em mim — deus do mar, trono vazio




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