terça-feira, 15 de julho de 2025

Eros

Eros (Izaque Valeze)


Entre a nudez da noite, meu desejo desperta,

Anseio a dança entre sombras e véu,

Eros sorri de sua estrela inquieta,

Trazendo o fogo que não vem do céu.


Quero olhares que se reconhecem,

Como antigos voltando a se ver,

Quero lábios que se encontram, e então se esquecem

Do tempo, do mundo, do próprio ser.


Quero almas que se tocam,

Chama acesa na pele a estremecer,

O juramento sutil dos que invocam

O amor nessa língua antiga de puro viver.


Meus lábios sussurram desejos perdidos,

Versos calados nas curvas da sua tez,

Mais que palavras, são só os abrigos

Que o corpo grita em completa mudez.


Não sou combate, apenas rendição,

Que Eros nos guie com dedos de brisa,

Cada beijo uma nova canção,

Danças que os toques improvisam.


Quero minha boca na tua repousar,

Parar o tempo onde o tempo se desfaz,

Sentir teu corpo e te ser lar,

Fazer de nós morada de amor voraz.

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