Há ao longe um traço dourado,
parecendo perto, meio disfarçado.
Chama meus desejos, prende meu olhar,
mas nunca deixa eu me aproximar.
Um horizonte vive de ilusão,
um quadro pintado pela emoção.
Ora se mostra em cores tão vivas,
ora se apaga em névoas esquivas.
Um horizonte de amor:
A promessa na aurora, a distância com dor.
Um aceno de cabeça ao longe, um meneio,
O que parece certo... se mostra um talvez, um receio.
Sonho alcançar o real, tornar o "se", meu
Corro atrás do tempo — ou nunca aconteceu.
E o coração, esperançoso, sempre acredita,
que o que some assim, um dia visita.
Ainda que o amor esteja no horizonte:
brilhante, mas lá distante.
O amor existe também no contemplar,
não só no alcançar.
E mesmo sabendo que posso nunca chegar,
eu permaneço, ainda que só num olhar.
Pois há beleza na aurora e no ocaso,
e se um dia os alcançarei, deixo ao acaso.
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