Pai, escuta o que em silêncio eu digo,
Sempre avisaste do sol cruel e voraz
Mas o céu chama, com o doce sussurro do perigo
E o medo, pai, não é voz que eu ouço mais
Se voar é um crime, escolho o castigo
Antes morrer do que não viver por temer os finais
Minhas asas são cera, sonho e loucura
Como tua voz que insiste em me deter
Mas se voar for pecado, peco por ternura
Pois o chão já não me basta mais para viver
Quero o céu, mesmo se entre nuvens escuras
Prefiro arder minhas asas a jamais me perder
Quando eu cair, saibas que foi por desejo
Um salto no escuro, um delírio, um abraçar
Aceitei minha queda pela promessa de um beijo
Caio orgulhoso como Samael, porque ousei tentar
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