terça-feira, 8 de julho de 2025

Ícaro

Pai, escuta o que em silêncio eu digo,

Sempre avisaste do sol cruel e voraz

Mas o céu chama, com o doce sussurro do perigo

E o medo, pai, não é voz que eu ouço mais

Se voar é um crime, escolho o castigo

Antes morrer do que não viver por temer os finais


Minhas asas são cera, sonho e loucura

Como tua voz que insiste em me deter

Mas se voar for pecado, peco por ternura

Pois o chão já não me basta mais para viver

Quero o céu, mesmo se entre nuvens escuras

Prefiro arder minhas asas a jamais me perder


Quando eu cair, saibas que foi por desejo

Um salto no escuro, um delírio, um abraçar

Aceitei minha queda pela promessa de um beijo

Caio orgulhoso como Samael, porque ousei tentar

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