Há um pássaro a voar que de longe observo,
os olhos cheios de sonho, a boca sem verbo.
Rasteiro, sou só um corpo a desejar,
um voo que não posso alçar.
Anseio ser ave, deixar de ser eu,
rasgar a carne em asas, tocar o céu.
Mas mesmo que possa me transformar,
o pássaro ainda precisa me enxergar.
Meu amor é cuidado, é sede, é cor,
mas lá no alto, o pássaro não sente o mesmo calor.
E amar assim — à margem —
é esperar do tempo um milagre.
Resignado, rogo que voe, livre, sem se preocupar
Com este meu desejo sereno,
guardo aqui a esperança — um futuro a se revelar.
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