Entrebraços
Eu já fui vento
E eu vi a revoada dos pássaros
Voando sobre o céu cinzento da chuva
Eu senti cada pingo bater em seu rosto
Enquanto lhe beijava os lábios
E eu vi seu sorriso reluzir
Vago, sem razão aparente, vagamente familiar
Já voei por vários locais
Ventoando perdidamente, por aí...
E me encontrei entre os braços d'alguém
Já fui brisa e vendaval
Esqueci de procurar o que não perdi
E encontrei o que não procurava
Perdido entre os braços d'alguém
Penso nas coisas das quais eu não lembro mais
Memórias perdidas que nunca esqueci
Nunca lembrei, nunca de fato presenciei
Mas ainda assim são memórias
Dum tempo que não conheci
Perdido nos braços d'alguém
Memórias de quando eu fui vento
Lembranças de quando nunca vivi
Coisas perdidas nos braços d'alguém
Que nunca lembrei e jamais esqueci
Lembranças que sempre perdidamente guardarei
Pois vento, vento eu sempre serei
por Izaque Valeze
Nenhum comentário:
Postar um comentário