quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Alivrenígena

Alivrenígena

O observador está sempre lá
Todo dia, no mesmo horário e local
Esperando a chegada do ônibus espacial
Muitos cometas e meteoros cruzam-lhe às vistas
De repente, abrem-se as portas da espaçonave
E todos os internos inocentes podem sair
Finalmente, estão livres para ir
Desorientados, pedem informação ao observador
Querem saber onde se pega o transporte para uma outra galáxia
O observador lhes informa, corretamente, e fica curioso
E o observador continua fazendo o que faz melhor: observar
A sensação de felicidade dos internos inocentes é impressionante
Com todos os seus típicos trejeitos alienígenas, comemoram
Dançam perigosamente em meio aos cometas e meteoros
Desafiam a sua recém-conquistada liberdade
E o observador continua ali parado, observando
E o observador se indaga: até quando?
Será que vão voltar à espaçonave?
Será que estão realmente livres?
A prisão maior é, afinal, em suas próprias mentes
E o observador chega à conclusão que sim, é possível
E ele se enche de esperança, sem deixar os poréms de fora
E reconhece que só quando deixarem de pensar como alienígenas
Os inocentes serão livres e, realmente, inocentes


por Izaque Valeze




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