terça-feira, 22 de julho de 2025

Deságuo

Sou um rio que corre, cumprindo sua função,

Seguindo o curso que o destino traça

Levo dores, alegrias, memórias — quase sem emoção

Sirvo vida pra quiser beber, alheio à minha desgraça


Ninguém navega minha solidão,

Sigo correndo e servindo, quase sem reclamar

A cada margem deixo um coração

Sigo meu único caminho, sempre a me doar


Minha lágrima corre doce, passiva

No fim, sigo buscando a grandeza do mar aberto

Desaguar, mergulhar, ondular em força instintiva


Me tornarei um com a profundidade do amar incerto

Que a imensidão me acolha ao fim da minha deriva

Sem glória ou temor — apenas um viver liberto

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