Esperei o tempo curar,
mas basta te olhar distante,
pra tudo em mim desabar,
feito toda uma vida num instante.
Nunca toquei tua pele,
nem sei o gosto da tua voz,
mas amo — em segredo e febre —
como quem aguarda a chuva a sós.
Te vejo sorrir pra outros céus,
enquanto no meu chove vontade.
E mesmo sem promessas ou véus,
te amo com a força da verdade.
A razão me pede prudência,
me chama de tolo, sonhador,
mas o peito, cheio de adolescência,
insiste: é amor, é amor.
Como superar o que não aconteceu?
Como esquecer o “nós” que não nasceu?
Se fica claro a cada respirar meu
que te amar calado também é ser teu.
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