segunda-feira, 30 de junho de 2025

B

Esperei o tempo curar,

mas basta te olhar distante,

pra tudo em mim desabar,

feito toda uma vida num instante.


Nunca toquei tua pele,

nem sei o gosto da tua voz,

mas amo — em segredo e febre —

como quem aguarda a chuva a sós.


Te vejo sorrir pra outros céus,

enquanto no meu chove vontade.

E mesmo sem promessas ou véus,

te amo com a força da verdade.


A razão me pede prudência,

me chama de tolo, sonhador,

mas o peito, cheio de adolescência,

insiste: é amor, é amor.


Como superar o que não aconteceu?

Como esquecer o “nós” que não nasceu?

Se fica claro a cada respirar meu

que te amar calado também é ser teu.

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