sexta-feira, 1 de maio de 2026

Madrugada

Entre o dia e a noite, nem lá e nem cá

Deito meu corpo num céu sem estrelas

Mesmo o prazer de Sísifo, talhado em pedra, se cansa

Meu adulto deveria ir dormir

Mas minha criança anseia por cores que não existem

Sonhos febris de exaustão trazem vida do além,

Talvez tragam à luz todos os sims e os nãos

Na madrugada sou livre para ser e não ser

Aqui no ar, sou tudo o que eu gostaria de ser

Noir, onde o que sou já não me alcança

Como uma droga de efeito constante

Teu silêncio me inebria em fantasia e solitude

Oh madrugada! És tão serena e delicada

Teu sorriso tão profuso e surreal

Me faz doce esse delírio de profunda emoção

Enfim, saio cadente como a última estrela fria

O horizonte já se rasga em amarelo

É hora de acordar sem ter ido dormir

Me levanto sem pressa ou euforia

Desfruto o vazio por alguns segundos

E sei que por infinitas eras sempre te buscarei

Meu coração vivo, minha eterna madrugada

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