Entre o dia e a noite, nem lá e nem cá
Deito meu corpo num céu sem estrelas
Mesmo o prazer de Sísifo, talhado em pedra, se cansa
Meu adulto deveria ir dormir
Mas minha criança anseia por cores que não existem
Sonhos febris de exaustão trazem vida do além,
Talvez tragam à luz todos os sims e os nãos
Na madrugada sou livre para ser e não ser
Aqui no ar, sou tudo o que eu gostaria de ser
Noir, onde o que sou já não me alcança
Como uma droga de efeito constante
Teu silêncio me inebria em fantasia e solitude
Oh madrugada! És tão serena e delicada
Teu sorriso tão profuso e surreal
Me faz doce esse delírio de profunda emoção
Enfim, saio cadente como a última estrela fria
O horizonte já se rasga em amarelo
É hora de acordar sem ter ido dormir
Me levanto sem pressa ou euforia
Desfruto o vazio por alguns segundos
E sei que por infinitas eras sempre te buscarei
Meu coração vivo, minha eterna madrugada
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