quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Pássaro noturno

Era uma vez um pássaro que voava

Até aí tudo normal, isso todo pássaro faz

Mas esse, em pleno voo, cansava de bater suas asas

Queria parar, mas não podia, ou se esborrachava

Decidia descer, procurava abrigo, voltava pra casa

Só que voava por tanto, que sua casa já não era mais


Empoleirava-se no que um dia foi seu lar

Em completo silêncio, buscava seu ego

Observava, só — tudo tão familiar, tudo tão diferente

Por mais que olhava, não reconhecia mais seu lugar

Cansava do céu, pois de tão azul, o deixava cego

Queria ir além, fazer-se da Lua residente


Mas ainda que sobrevivesse ao espaço

A Lua, força natural que é, não lhe esperava

Não sabia o que fazia, então a voar saía novamente

Como numa pré-configuração, preso num laço

Restava ver a Lua de longe, então para ela ele entoava

Cantos de amor impossível, poemas de alma contente

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