Era uma vez um pássaro que voava
Até aí tudo normal, isso todo pássaro faz
Mas esse, em pleno voo, cansava de bater suas asas
Queria parar, mas não podia, ou se esborrachava
Decidia descer, procurava abrigo, voltava pra casa
Só que voava por tanto, que sua casa já não era mais
Empoleirava-se no que um dia foi seu lar
Em completo silêncio, buscava seu ego
Observava, só — tudo tão familiar, tudo tão diferente
Por mais que olhava, não reconhecia mais seu lugar
Cansava do céu, pois de tão azul, o deixava cego
Queria ir além, fazer-se da Lua residente
Mas ainda que sobrevivesse ao espaço
A Lua, força natural que é, não lhe esperava
Não sabia o que fazia, então a voar saía novamente
Como numa pré-configuração, preso num laço
Restava ver a Lua de longe, então para ela ele entoava
Cantos de amor impossível, poemas de alma contente
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