Era uma vez um menino nem tão comum
Pois ele tinha um turbilhão dentro de siInacessível à ele, mas tão real quanto oxigênio
Havia uma sala que ele visitava toda semana
Nessa sala era o único lugar em que ele via o turbilhão
Mexer no turbilhão causava dor, às vezes física
Talvez ele fosse masoquista, talvez não
Só que andar com um turbilhão não parecia normal
Então ele continuava indo, como num ritual de busca
Nessa sala o tempo passava de forma diferente
Às vezes mais lento, às vezes incrivelmente rápido
Como uma máquina — Uma máquina do tempo
Uma máquina para ver oxigênio, ou turbilhões
Na sala do tempo o turbilhão tinha várias formas
Às vezes raiva, às vezes medo, às vezes felicidade
Sempre que saía da máquina, algo tinha mudado
Algo estava semelhantemente diferente
Quase nunca se sabia o quê
Às vezes ele sentia que era pra melhor, às vezes pior
Mas sempre diferente, novo, renovado
E na semana seguinte, lá estava ele outra vez
Um navegante de si, um intronauta
Na saída da máquina do tempo há um cálice
De vidro, crespo, com tampa, cheio
De balas e sabores diversos, refrescantes, doces
Nunca disseram ao menino se ele podia pegá-las
Também nunca disseram que ele não podia
As balas só estavam lá, baleando olhares
Sem entender o porquê, apenas existiam
Sem rimas, como esse texto — ou a vida
E o menino que não sabia se não podia
Levantava a tampa do cale-se e pegava três ou quatro
Toda vez, sem falta, pra adoçar o turbilhão
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