Foi de uma vez numa noite como outra qualquer
Noite adolesquente do interior
Quando com batidas surdas
A Vida bateu em minha porta
Me chamando pra sair da toca
Como quem não A conhecesse, reneguei
Aos poucos a memória de milênios regressou
E apertei as mãos da Vida
E me entreguei. E me apaixoamei
Ótima professora, Ela possibilitou o dito impossível
Metade do espelho, metade da carne, metade da alma
Intelecto compartilhado, vontade incorpórea
Em Suas asas voei
Pra onde jamais imaginei
E o Tempo chegou de encontro
E o Tempo bateu forte
E o Tempo passou
E aqui eu estou, surfando o cometa
Abraçado ao futuro lembrado em brasa
E o Tempo não passou
E o Tempo nunca passa
Ouroboros, devore logo a cauda
Ouroboros, Mãe de todos nós
Como se chega ao passado?
Gire faminta, Ouroboros
Me traga a mão, me traga o pé
Me traga mais da Vida
Sei fazer cafuné
por Azedo
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