Não queria me preocupar. Não queria ser o futuro da nação. Não queria ser nem o meu futuro, muito menos queria ser o futuro de alguém. O futuro é muito longe, eu queria agora, mas não queria nada racional. A razão é chata e, ironicamente, sem sentido... No final, não faço parte de nada, sou objeto inanimado.
Sou um barco no mar pintado num quadro, navego nas horas do dia e da noite. À deriva, somente componho a paisagem. Não queria trazer esperanças a ninguém. Não queria criar expectativas.
Queria, sim, que me compreendessem. Queria que as pessoas se inanimassem. Queria que entendessem a beleza que a apatia pode ter.
Queria mergulhar em olhares por horas, fitar o nada que há dentro de todos nós, encontrar o ninguém que sou, dentro do olhar vago de um outro ninguém que também não quer ser...
Queria mergulhar em olhares por horas, fitar o nada que há dentro de todos nós, encontrar o ninguém que sou, dentro do olhar vago de um outro ninguém que também não quer ser...
Queria ser apaticamente feliz, não ter que ser nada mais além de um barco, inanimado, pintado num quadro qualquer, perdido num mar de olhares distantes...
Viver pode se resumir a querer e cumprir, mas como diriam os nossos velhos: querer não é poder.
A vida é chata. Inanime-se.
Viver pode se resumir a querer e cumprir, mas como diriam os nossos velhos: querer não é poder.
A vida é chata. Inanime-se.
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