sábado, 15 de setembro de 2012

As pós-aventuras de Metalhead

As pós-aventuras de Metalhead



E Metalhead volta de mais uma das suas aventuras. No céu aquele sol "agradável", um clima digno de uma fornalha... Ao se olhar para o horizonte, na divisa entre o asfalto e o céu, é possível ver o vapor ondulando a paisagem. Enfim, tá quente pra caralho!
Metalhead tem um destino: sua casa, nada mais além de sua casa, porém Metalhead está bem onde o rio não fez a curva, na divisa entre Lugarnenhum e Longepracaralho, sua casa é distante, ele precisa de um meio de transporte, ele não pode simplesmente ir andando, não nesse calor. Eis que lhe surge então a "brilhante" ideia: "por que eu não pego carona com o primeiro estranho que aparecer?"
No meio do nada e no calor da ideia e daquele dia infeliz, ele aguarda pelos raros carros que passam. Dedos para frente à cada carro que lhe cruza a vista, seguidos por uma nova decepção. Os carros além de escassos parecem nunca ir sequer para perto de sua casa.
O metalhead já está fervendo por fora e por dentro. Sua sorte parece estar de férias ou ele é mal encarado e assusta os estranhos.
Mas então surge na curva a Parati cinza-fosco, ou seria preto-empoeirado? Não importa. Ao volante e no banco de passageiro estão os Estranhos do Tecnobrega. Nos auto-falantes (muito potentes por sinal) estão, obviamente, sucessos do tecnobrega volume quarenta e dez, estrelando Robério e Seus Teclados.
E Metalhead, quase sem forças, estica os dedos para frente uma vez mais. Para sua surpresa, os Estranhos param e abaixam o som. 
Metalhead pergunta:
- Vocês vão pra Pertodaminhacasa?
No que os Estranhos respondem:
- Vamos sim.
E o diálogo prossegue:
- Podem me dar uma carona?
- Se você não se incomodar com o som alto, sobe aí.
Diante de tal situação Metalhead se vê encurralado e diz:
- Imagina, não tem problema não.
Entra na Parati e segue sua viagem rumo à Pertodaminhacasa.
Acomodado num dos bancos de trás, Metalhead vê os Estranhos aumentarem absurdamente o volume dos auto-falantes. Aquela melodia cultural de Robério e Seus Teclados "contagia" Metalhead. Na verdade ele não tem nada contra quem ouve, ele simplesmente não gosta do estilo, e o som estridente lhe dói os tímpanos, mas diante de tal música contagiante e dos olhares curiosos do Estranho ao volante, Metalhead se vê obrigado a "sambar com os dedinhos" sob sua própria perna, afinal, ele não deveria ser uma persona non grata.
Chegando à Pertodaminhacasa Metalhead se despede e agradece aos estranhos, que antes de partir lhe perguntam:
- O som incomodou muito?
No que Metalhead mente:
- Não, de maneira alguma, tava até legal.
Rindo da situação, Metalhead continua em direção à sua casa, ainda era necessária uma pequena caminhada.
Quando ele pensa que seu dia não poderia ser mais histórico, surge um outro Estranho, dessa vez era o Estranho Corinthiano.
Estranho Corinthiano se aproxima um pouco de Metalhead e vai logo perguntando:
- Você poderia me informar onde fica a casa daquela mulher que o pessoal comenta bastante aqui em Pertodaminhacasa? A tal de Maria Chupeta.
Constrangido pelo fato de Maria Chupeta ser a prostituta mais famosa de Pertodaminhacasa, não acreditando na seriedade da pergunta e se segurando para não rir, Metalhead responde um provável local, já que ele não sabe exatamente o endereço. O Estranho Corinthiano agradece pela informação e pergunta então o nome de Metalhead, que mente o primeiro nome que imagina.
Sem conseguir acreditar em seu dia, Metalhead chega finalmente em sua casa.
É o fim de mais um dia de aventuras, um dia que tinha tudo para dar errado, mas que os Estranhos tornaram em uma verdadeira comédia. Refletindo sobre isso, Metalhead agradece em pensamento: "Obrigado, Estranhos".
E agora, o que teremos para amanhã?


por Izaque Valeze

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