Dias, noites, dever e amor.
E de repente ele a ama, sem motivos explícitos ou racionais, talvez a convivência seja a culpada. O como e o porque não são importantes, ele somente a ama.
A cada sorriso dela ele se deleita, cada palavra dela é para ele um poema. Suas qualidades são inumeráveis, seus defeitos também. Ela é tão imperfeita quanto ele, e por isso ele a ama.
Ele estuda, ela também. Ela se preocupa com o futuro, ele não. Ela crê, ele não.
Tudo corre bem.
Há somente um porém: ele a ama, mas ele não deve amá-la.
Foi tão improvável tal amor quando eles se conheceram, ele jamais imaginaria. Em tão pouco tempo eles já eram amigos de infância, ele já a amava.
Ela vive a vida que ele sempre sonhou ter, ou ele sonhou ter tal vida porque ela a vive? Ele não sabe, ele não se importa.
Seu dilema aumenta com o tempo.
Seu amor aumenta com o tempo.
Ele não deve, mas ele a ama.
Sem saída, só lhe resta sonhar...
Com o indicador ele retira a areia em seus olhos e lava o rosto com a água fria que ele não sente. E se olha então no espelho.
Ele a vê, seu semblante distante e pensativo. Ele não sabe o porquê, e embora tente decifrá-la, ele jamais consegue.
Na rua ele a vê em cada rosto feminino que lhe cruza os olhos.
Ele ouve a voz dela o chamando, por um breve momento se acende uma chama em seu espírito. Será?
Ele olha pra trás e vê somente o vento que baila rindo de sua inocência. Ele desconfia que está enlouquecendo, ele se sente estúpido.
E diante da frustração ele decide continuar sonhando.
A noite cai novamente, e todo o processo se repete...
O ciclo interminável e torturante o muda muito, vários de seus aspectos já não são os mesmos. E ele ainda a ama, sem dever.
Ele não deve, ele não pode, mas ele a ama demais para não amá-la.
Izaque Valeze

Que lindo...
ResponderExcluiré lindo mesmo e tão romântico que dá muito medo! acho que existe uma doença muito séria, que nunca foi tratada como tal, algumas pessoas sofrem dela desde muito jovens, essa doença imprime um jeito de ser e estar no mundo quase flutuando, inatingível, no plano dos sonhos. falo do Amor Platônico.
ResponderExcluiré bem por aí onde quis chegar nesse texto, eu acho... geralmente nunca lembro porque escrevo, chega a ser legal, depois eu leio meu próprio texto e fico tentando me interpretar...kkkkk
ResponderExcluirrsrs também acontece comigo, as vezes acho até que algumas coisas são psicografadas!! medo! ;)
Excluir!
ResponderExcluir