O vento chora uma canção de amor ou ódio (quem sabe?) em seus ouvidos, trazendo o frio e levando embora dores passadas. Com ele segue somente a sua fiel companheira: a garrafa de vodca já está quase vazia, mas ainda há muito para o que se beber.
Desesperado e com frio ele corre sem rumo, pelas ruas de uma cidade que de tão barulhenta já não se pode ouvir nada, só o vento. O frio já não lhe incomoda e ele não sente mais dor física. Sua cabeça está a milhão.
Ela foi muito dura com ele. Ela foi muito dura com ele.
Ódio, mágoa, raiva, coquetel explosivo de emoções. E vodca.
Ele só corre, cheio de motivos e sem rumo, sua vontade é deixar tudo para trás: carros, pesadelos, bicicletas, ódio, cães, mágoa, gatos, raiva...
O choro do vento agora canta: "You're giving Death a kiss, oh, little fool now, your mind is full of pleasure your body's looking ill, to you it's shallow leisure..."
Entorpecido pela melodia-ventania, ele já não corre mais... E dá um ultimo gole em sua fiel companheira. Agora ele anda, só. Só.
Era inútil correr, jamais ele encontrará a paz novamente... Ela foi muito dura com ele. Ela foi muito dura com ele.
Oh agridoce furacão vida! Que desaparece na mesma rapidez em que surge, não se importa com o que deixa para trás nem com o que acontecerá depois.
Ela foi muito dura com ele. Ela foi muito dura com ele...
E o vento canta: "For her sake he lived... Looking back now, he could have saved her, but there's no one left to save him, 'cause we're all walking in tomorrows we may never experience. Live your life each day... We're all nomads forever on our way: a journey to the end..."
Izaque Valeze

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